Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens

Incontida lágrima

O que há de mais importante a celebrar na vida é a própria vida, como São Francisco de Assis já dizia. 

Não se trata apenas de comemorar aquilo que aos nossos olhos dá certo, aquilo que acontece do jeito que a gente queria. 

É uma questão de se deixar tocar pela beleza e pelo mistério da existência, de perceber que entre as linhas onde se escreve a nossa história há propósitos insondáveis a tramar a aventura, de reconhecer que o bem e o mal são cúmplices nos desafios que nos provocam a florescer, como o são inverno e verão ao conspirar o enredo das estações. 

Chore, ria, abrace, afaste, lute, repouse, mas, acima de tudo, jamais permita que o teu coração endureça, jamais permita que ele se esqueça de contemplar a vida com a reverência devida, com a reverência que inspira, ao transbordar de uma incontida lágrima, profunda e infinita gratidão. 

Guerreiros


A beleza da vida, entre tantas coisas, está na emoção da aventura. O perigo aguarda sempre ali, no desconhecido adiante da próxima curva, no trecho pedregoso e íngreme que pode levar tudo abaixo, numa companhia que caminha lado a lado sem a lealdade que devia. 

Frente a tal desafio, os covardes se encolhem e se põem a desfiar lamúrias. Mas os guerreiros – ah, os guerreiros! – eles persistem, aprendem, criam alternativas. E ficam mais fortes, e mais criativos, e cada vez mais serenos, porque sabem que sempre há saída para quem acredita. Pois a vida, como diz a Cecília Meireles, “a vida só é possível reinventada” – só é possível pela realidade transformada! 

Gente Melhor no Facebook: siga, compartilhe, deixe seus comentários

Areias do tempo






Pensar que um dia haveremos de morrer 
nada é em comparação ao risco de gastar em vão 
o breve tempo que dispomos para viver. 

Gente Melhor no Facebook: 
siga, compartilhe, deixe seus comentários

Sereníssimo

 
Tantas vezes o golpearam de forma traiçoeira. Outras tantas o destino se encarregara de lhe trazer dores e perdas. Algumas vezes amargara, tão-somente, dos desamores a indiferença... Mesmo assim, amargara. Até que suas ilusões todas morreram.
 
Então, por incrível que pareça, restou-lhe no espírito, apenas, uma singela pureza.
 
Seu olhar se tornou calmo, sereno, compassivo. Não mais dava conta do mal. Compreendia o drama humano como uma escola de aprendizagem, por onde cada um está de passagem. Nada mais esperava dos imaturos ou dos primitivos, senão que agissem como tal. Já dos mais crescidos, entendia porque viviam tão atentos às lições do ensino.
 
A experiência o fizera entender que abrir mão de tudo dá liberdade para estender os braços para o Todo. Portanto, nem mesmo ansiava encontrar, um dia, o Paraíso. Mas quem o conhecia segredava que isso era porque o Paraíso, há muito, já o havia encontrado.
 

Vita brevis



Um vento ligeiro, cuja música sibila em nossos ouvidos, o sopro agita os nossos cabelos, numa carícia desliza por nossa pele... E se vai.

A vida é de uma brevidade avassaladora!

É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
 
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
 
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
 
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
 
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia, por onde a vida flui com autêntica felicidade.

Ao fim da jornada





“Apesar de tantas provas, minha idade avançada e a grandeza de minha alma me levam a julgar que está tudo bem”, considera o rei Édipo, ao fim da tragédia escrita por Sófocles. 

Se ao final da jornada a experiência, toda experiência, sobretudo as provações, tiver conduzido a alma à grandeza, então perceberemos mais claramente que houve um propósito. E, uma vez satisfeito o propósito, estará tudo bem, apesar das desventuras próprias da aventura de viver.  

Revolta


Ao refletir sobre a existência, Albert Camus concluiu que só há um jeito de viver plenamente: Revoltando-se! Não, não se trata da revolta por rancor, amargura, frustração. Nem tampouco da luta armada ou do jogo de artimanhas para derrubar desafetos. O que nos leva a enfrentar os aspectos sombrios da realidade é o sonho, o sonho acordado, utópico, iluminado de esperanças.

Não foi assim com Jesus? Todo mundo, à sua volta, acreditava na espada, vingadora de toda e qualquer opressão. Menos ele. Ele acreditava no poder do reino de Deus, nas forças transformadoras da fé, nas mudanças que se operam de dentro para fora.

A revolta legítima, revolucionária, digna da natureza humana feita à imagem divina, é aquela do coração que insiste e persiste em olhar além. Além das mazelas herdadas no próprio DNA e na mentalidade aprendida, além da absurdez dos acontecimentos aleatórios e incausados, além das injustiças e perversidades mundanas, até mesmo além das circunstâncias mais difíceis e dolorosas. 

Revoltar-se é a ousadia de se inconformar, dar a volta por cima daquilo que limita, definha, desencanta, para se reencantar com a vida. Revoltar-se é voltar a ter a simplicidade de coração da criança que acredita na beleza, na força do bem, na felicidade. E, como criança, voltar a ser representante do reino divino, levando, inclusive aos confins dos domínios da desesperança, a boa nova de que o futuro sempre será melhor para quem se atreve a sonhar. 

O sabor da vida



Agora,
um novo ano se inicia.
O outro, feito taça vazia,
lançada à lareira do tempo,
se estilhaça num movimento.
 
Nessa hora,
que seja descartado o velho,
totalmente vazio – sem restos.
Que tenha sido sorvido, dia a dia,
toda gota, até o último gole de vida.
 
Porque
vida não é tempo transcorrido,
mas cada momento experimentado,
cada nuance de sabor, doce ou amargo,
que nos deixa na alma o gosto de ter vivido.

Solidão


Houve tempo em que pensei a solidão
como total ausência.
Não...
Com o tempo descobri na solidão
a oportunidade da presença,
a presença de mim mesmo,
mais completa, mais consciente,
mais plena...
Na conversa silenciosa e íntima,
o autoconhecimento,
o aprofundamento da autoestima,
as descobertas das possibilidades
de autorrealização – e felicidade.
Neste ambiente de solidão,
o corpo se faz altar,
a quietude, liturgia,
comunhão,
com o Sagrado a se manifestar.
Como o velho Erasmo bem sabia:
“Vocatus atque non vocatus, Deus aderit”
– Evocado ou não, Deus está presente.
Principalmente
quando o espaço se abre aconchegante
na solitude do coração.