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Fios do destino
O destino é mesmo assim, indiferente às nossas rotinas. Enquanto acordamos no horário e seguimos com os compromissos em busca dos resultados pretendidos, pequenos e grandes eventos aqui e acolá estão se combinando para influenciar o próximo instante da nossa vida.
Ao olharmos para isso, percebemos que todos esses fios engendrados, alguns fornecidos por nós, outros urdidos à nossa revelia, parecem bordados por mãos invisíveis, de propósitos insondáveis, para compor no tecido do tempo um quadro que sequer imaginamos possível.
E na trama dessas linhas se desenha a voz divina a dizer que toda e qualquer ansiedade é bobagem, a sussurrar compassivamente: “Aquietem o coração, pois saibam que eu sou Deus hoje e eternamente.”
Carpe diem
É inútil se preocupar com o futuro a ponto de prejudicar o presente pela ansiedade. E eu diria até ser impróprio consultar oráculos para adivinhar o que há de vir.
Afinal, enquanto tu te ocupas com isso, o tempo fugidio te escapa e o teu breve sopro de vida se desperdiça.
Em vez de tanto ansiar pelo amanhã, carpe diem – colha o dia! Como? Suporte as lutas e desfrute as bênçãos com igual dignidade e disposição de espírito.
Assim, aproveitarás tanto o fruto maduro para ser consumido neste instante quanto darás condições para que haja frutos ainda melhores nos incertos dias vindouros.
(Inspirado no texto de Horácio, poeta romano, que deu origem à expressão "carpe diem")
Afinal, enquanto tu te ocupas com isso, o tempo fugidio te escapa e o teu breve sopro de vida se desperdiça.
Em vez de tanto ansiar pelo amanhã, carpe diem – colha o dia! Como? Suporte as lutas e desfrute as bênçãos com igual dignidade e disposição de espírito.
Assim, aproveitarás tanto o fruto maduro para ser consumido neste instante quanto darás condições para que haja frutos ainda melhores nos incertos dias vindouros.
(Inspirado no texto de Horácio, poeta romano, que deu origem à expressão "carpe diem")
Problemas no caminho
Não permita que os problemas lhe tirem
a sensibilidade para a vida.
Porque os problemas passam.
E, na verdade, o que fica a ser seguida é,
tão-somente, a própria vida.
Sereníssimo
Tantas vezes o golpearam de forma traiçoeira. Outras tantas o destino se encarregara de lhe trazer dores e perdas. Algumas vezes amargara, tão-somente, dos desamores a indiferença... Mesmo assim, amargara. Até que suas ilusões todas morreram.
Então, por incrível que pareça, restou-lhe no espírito, apenas, uma singela pureza.
Seu olhar se tornou calmo, sereno, compassivo. Não mais dava conta do mal. Compreendia o drama humano como uma escola de aprendizagem, por onde cada um está de passagem. Nada mais esperava dos imaturos ou dos primitivos, senão que agissem como tal. Já dos mais crescidos, entendia porque viviam tão atentos às lições do ensino.
A experiência o fizera entender que abrir mão de tudo dá liberdade para estender os braços para o Todo. Portanto, nem mesmo ansiava encontrar, um dia, o Paraíso. Mas quem o conhecia segredava que isso era porque o Paraíso, há muito, já o havia encontrado.
O descompasso da ansiedade
Tantas vezes eu caí em descompasso, perdi a sincronia com a vida, tangi tempos errados. Tantas vezes eu me vi preocupado com aquilo que ainda não havia acontecido, no afã inglório de obrigar as coisas a se encaixarem exatas nos arranjos dos meus desejos. E outras tantas eu sofri pós-ocupado com aquilo que já havia acontecido, na vã tentativa de resgatar coisas que se foram para mudá-las conforme os meus anseios. Cenas repassadas, em dezenas e dezenas de versões, sem jamais chegar à edição final, sem jamais retratar a vida real.
A ansiedade entorpece a alma com ilusões, seduz o coração para longe do tempo presente, faz a gente acreditar na possibilidade de alterar o que está fora do alcance das mãos. Ora no futuro, ora no passado, com menor ou maior intensidade, o ansioso sai do ritmo, embaralha a música da vida, cria sua própria cacofonia. E deixa de colher o doce fruto maduro, e de amar quem realmente merece, e perde a chance de desfrutar o instante, e de conhecer a grande sabedoria do agora.
Eu quero a plenitude de cada hora, quero reconhecer que tudo tem o seu tempo determinado, quero ter do passado a matéria-prima, o aprendizado, e do futuro, a inspiração, o sussurro encantado, para me entregar ao momento e dele tirar o acorde mais excitante. Quero compor uma obra de arte, tocar as cordas do presente como quem dedilha suavemente a pele cálida da pessoa amada. Porque, ao quedar as cortinas dos meus olhos, quando ressoar a última batida do meu coração, eu quero ouvir o derradeiro som com o prazer indizível de quem fez do conjunto da vida uma sinfonia, um trabalho único, nota a nota, dia a dia.
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