Sempre aparece alguém para nos oferecer uma dose generosa de palavras maldosas. A humanidade ainda é assim – que pena! Mas, a bem da verdade, este não é o problema. O problema, mesmo, começa quando a gente aceita o veneno e comete o erro, o supremo erro, de levar o cálice à boca e ingerir até a última gota.
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Palavras ao vento
Palavras são sementes.
Lançadas ao vento, têm poder de germinar nas terras de cada coração onde se assentam.
Por isso, antes de reclamar daquilo que você colhe nos seus relacionamentos, avalie a qualidade dos grãos que você espalha.
Equilíbrio
Nietzsche disse que a existência humana é uma corda estendida entre o primitivismo e a plenitude.
Também penso assim.
Somos equilibristas. Em nossa alma ressoa um chamado à travessia. A corda não se eleva muito acima do chão. Abaixo, há um lodaçal.
Alguns se conformam com a queda e, feito porcos, chafurdam, e ainda se recreiam na lama, e vivem como se nada mais houvesse de possibilidade. Tornados cínicos por sua descrença íntima e secreta, são estes os que vivem a se revolver em fofocas, deslealdades, falcatruas, até mesmo crimes e todo tipo de corrupção. Entretanto, por dentro, amargam a humilhação da sujeira e o desespero pela falta de perspectiva de seu próprio espírito.
Outros teimam em se reerguer cada vez que caem. Insistem no aprendizado do equilíbrio. Em momento algum se contentam em permanecer onde estão. Avançam. Pé ante pé. Mas avançam. Sentem que a vida só terá valor se puderem ir além.
Os que fazem a travessia são os que de fato transformam a realidade. O seu singelo espetáculo demonstra a grandeza humana. Revela do que somos capazes. E impressiona. A tal ponto que influencia mudanças. Estes tornam o mundo um lugar novo, para si e para todos. Um lugar que, de alguma forma, jamais será o mesmo após a sua passagem.
A vida dos outros
Eu sempre me vejo intrigado por este enigma: Por que certas pessoas gastam o precioso e breve tempo da sua própria vida para se meter na vida alheia?
Talvez a resposta esteja na pergunta... Talvez esse tipo de gente não tenha, triste e simplesmente não tenha, vida própria.
Honroso silêncio
Reclama, reclama, critica tudo e todos, malicia ações e intenções alheias, feito mosca com asa quebrada girando em torno de si, desprovida de qualquer importância senão o seu enjoativo zumbir.
Melhor se fosse abelha, com o seu jazz e coreografia da esperança, apontando o caminho das flores, dos perfumes e cores, das volúpias das formas e texturas, dos sabores adocicados nos campos transbordados de vida.
Ou, ao menos, mariposa, com seu ignoto, mas honroso, silêncio.
O poder da língua
O leme se dobra... Mesmo pequeno e oculto sob as águas, determina o rumo do imponente navio a cortar as ondas. Assim é a língua humana, reflete São Tiago. Tão pequena, mas com poder capaz de sentenciar destinos. Quem aprende a controlá-la, aprende a guiar a própria existência pelos mares da vida... E o que é igualmente importante: Aprende a navegar sem atravessar o caminho dos outros!
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