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Equilíbrio

 
Nietzsche disse que a existência humana é uma corda estendida entre o primitivismo e a plenitude.
 
Também penso assim.
 
Somos equilibristas. Em nossa alma ressoa um chamado à travessia. A corda não se eleva muito acima do chão. Abaixo, há um lodaçal.
 
Alguns se conformam com a queda e, feito porcos, chafurdam, e ainda se recreiam na lama, e vivem como se nada mais houvesse de possibilidade. Tornados cínicos por sua descrença íntima e secreta, são estes os que vivem a se revolver em fofocas, deslealdades, falcatruas, até mesmo crimes e todo tipo de corrupção. Entretanto, por dentro, amargam a humilhação da sujeira e o desespero pela falta de perspectiva de seu próprio espírito.
 
Outros teimam em se reerguer cada vez que caem. Insistem no aprendizado do equilíbrio. Em momento algum se contentam em permanecer onde estão. Avançam. Pé ante pé. Mas avançam. Sentem que a vida só terá valor se puderem ir além.
 
Os que fazem a travessia são os que de fato transformam a realidade. O seu singelo espetáculo demonstra a grandeza humana. Revela do que somos capazes. E impressiona. A tal ponto que influencia mudanças. Estes tornam o mundo um lugar novo, para si e para todos. Um lugar que, de alguma forma, jamais será o mesmo após a sua passagem.
 

Cara e coração



Ouvi dizer que após se despedir de certo jornalista, a quem havia concedido entrevista, Abraham Lincoln comentou com a sua secretária:

– Não vou com a cara desse sujeito.

– Senhor presidente, ninguém é culpado pela cara que tem.

– Depois de grande, todo mundo se torna responsável pela cara que tem.

Tinha razão o Lincoln. De alguma forma acaba escapando, hora ou outra, nesta ou naquela expressão, numa ou noutra palavra, gesto ou ação, a genuína face de uma pessoa. E a verdade do ditado está no seu avesso, feito a máscara da hipocrisia, pois quem vê cara, se prestar atenção, também vê coração. 

A vida dos outros



 
 
  
Eu sempre me vejo intrigado por este enigma: Por que certas pessoas gastam o precioso e breve tempo da sua própria vida para se meter na vida alheia?
 
Talvez a resposta esteja na pergunta... Talvez esse tipo de gente não tenha, triste e simplesmente não tenha, vida própria.