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Baú de eternidades





O coração é baú de eternidades. O que sempre está conosco, estará para sempre conosco – sejam amarguras ou ternuras, amores ou rancores, infernos ou paraísos. Entre uma e outra dessas coisas, cabe tão-somente a nós a escolha. 

A leveza do ser




Quando chegarmos ao fim da jornada desta vida, não sentiremos orgulho das vezes que enganamos, pisamos, desprezamos ou difamamos quaisquer pessoas. Longe disso. A nossa satisfação virá da memória de cada gesto de perdão, lealdade, compaixão e solidariedade de que fomos capazes. 

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Amor de mãe

Tem gente que se fez mãe verdadeira, 
mesmo sendo pai, avó, tia, madrinha... 

Tem mãe que não se fez pela barriga, 
mas pelo coração, de alma, por inteira... 

Tem mãe que se fez mãezona, amiga, 
orientadora, ombro sempre presente... 

E tem o amor divino, afeto maternal, 
a sussurrar quando a gente se fragiliza: 

"Mesmo que uma mulher possa tratar mal 
e até se esquecer do fruto do seu ventre, 
eu, todavia, jamais de ti me esqueceria." 

A força do amor


A tragédia leva uma parte de nós consigo. E nos arranca, para sempre, um pedaço do sorriso...
Mas, apesar de nos subtrair, ela é incapaz de nos diminuir. Pois em nosso desamparo, descobrimos a grandeza humana no apoio solidário de todo aquele que na dor se faz irmão. Em nossa perplexidade, recebemos o sustento da presença inefável do Consolador com sua imensa compaixão. E no deserto da saudade, aprendemos que nenhuma fronteira, nem mesmo a morte, pode impor limite ao alcance do coração.
Assim, o absurdo da tragédia, ao invés de esmagador, revela do que é feito o nosso espírito, e o quanto ele pode crescer, e vencer, pela força do amor. 

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Na bagagem do coração








No fim da nossa jornada sobre este chão,
quando precisarmos nos despir de tudo,
só poderemos carregar o que couber no coração.





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Um amor verdadeiro

 

O falso amor é possessivo, buraco sem fundo, quer sempre mais para si, até devorar tudo.
 
O verdadeiro amor é diferente. Pois um amor verdadeiro é aquele que se basta.
 
Quando ama desse jeito, a gente não precisa de mais nada, senão o bem da pessoa amada.
 
Afinal, a gente só pode ser feliz de verdade se houver felicidade no coração de quem a nossa alma faz morada.
 

Vita brevis



Um vento ligeiro, cuja música sibila em nossos ouvidos, o sopro agita os nossos cabelos, numa carícia desliza por nossa pele... E se vai.

A vida é de uma brevidade avassaladora!

É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
 
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
 
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
 
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
 
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia, por onde a vida flui com autêntica felicidade.

O valor da amizade

 
O cão Terfel, que completou 8 anos em 2012, na Inglaterra, ficou cego e já não saía mais da sua cama. A sua dona arranjou uma gatinha, a quem deu o nome de Pwdidat. Assim que conheceu o cachorro, a gata compreendeu o seu drama. Compadecida, colocou-se sob o pescoço dele e surpreendentemente o ajudou a chegar ao jardim da casa. Desde então, Terfel pôde contar com Pwdidat como guia e amiga... E isso o fez voltar a viver.
 
Esta notícia me põe a refletir...
 
De onde vêm a generosidade, a misericórdia, a solidariedade? De onde brotam os sentimentos e gestos que contrariam o naturalismo absolutista, apregoador da lei do mais forte? De onde surgem estas coisas gratuitas e altruístas que colorem a existência universal em tons incontáveis de amor?
 
Ao deixar vestígios da graça divina, o bem que existe em nós e permeia toda a criação nos convida à fé e esperança, pois sussurra em nossos ouvidos que o mal sempre pode ser superado e a vida, sair triunfante.
 

Onde nasce o amor

 
Foi difícil, admito, mas com o tempo eu aprendi que os amores verdadeiros, desses que correm nas veias da alma e do corpo da gente, feito riachos e rios rabiscados na carne da terra, a fecundá-la por suas fluentes, nascem todos de uma fonte única: o amor-próprio. 
 
Não à toa, Jesus ensina que o princípio, a nascente de toda virtude, onde cada pessoa encontra o seu valor genuíno, se resume no amor a Deus e ao próximo “como a si mesmo”. Afinal, que parâmetros alguém pode ter para amar qualquer outro ser, com generosidade e aceitação, quando resiste a abrir para si mesmo o próprio coração?