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Na bagagem do coração








No fim da nossa jornada sobre este chão,
quando precisarmos nos despir de tudo,
só poderemos carregar o que couber no coração.





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Vita brevis



Um vento ligeiro, cuja música sibila em nossos ouvidos, o sopro agita os nossos cabelos, numa carícia desliza por nossa pele... E se vai.

A vida é de uma brevidade avassaladora!

É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
 
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
 
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
 
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
 
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia, por onde a vida flui com autêntica felicidade.

Revolta


Ao refletir sobre a existência, Albert Camus concluiu que só há um jeito de viver plenamente: Revoltando-se! Não, não se trata da revolta por rancor, amargura, frustração. Nem tampouco da luta armada ou do jogo de artimanhas para derrubar desafetos. O que nos leva a enfrentar os aspectos sombrios da realidade é o sonho, o sonho acordado, utópico, iluminado de esperanças.

Não foi assim com Jesus? Todo mundo, à sua volta, acreditava na espada, vingadora de toda e qualquer opressão. Menos ele. Ele acreditava no poder do reino de Deus, nas forças transformadoras da fé, nas mudanças que se operam de dentro para fora.

A revolta legítima, revolucionária, digna da natureza humana feita à imagem divina, é aquela do coração que insiste e persiste em olhar além. Além das mazelas herdadas no próprio DNA e na mentalidade aprendida, além da absurdez dos acontecimentos aleatórios e incausados, além das injustiças e perversidades mundanas, até mesmo além das circunstâncias mais difíceis e dolorosas. 

Revoltar-se é a ousadia de se inconformar, dar a volta por cima daquilo que limita, definha, desencanta, para se reencantar com a vida. Revoltar-se é voltar a ter a simplicidade de coração da criança que acredita na beleza, na força do bem, na felicidade. E, como criança, voltar a ser representante do reino divino, levando, inclusive aos confins dos domínios da desesperança, a boa nova de que o futuro sempre será melhor para quem se atreve a sonhar. 

Pedra no caminho


A simplicidade de coração 
faz a gente se encantar 
com a amplitude do horizonte 
de modo a enxergar 
sempre, sempre mais distante, 
além da pedra no caminho.