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Sobre bibliotecas e jardins
O filósofo romano Cícero disse que “se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará”. Em outras palavras, se a gente buscar conhecimento e se mantiver sensível à vida que floresce ao redor, alcançará sabedoria para crescer, superar desafios e realizar sonhos.
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Receita de sabedoria
Aconselhar todo mundo a não ouvir conselhos dos outros é mais do que contradição. É um jeito velado, geralmente de quem para tudo tem uma opinião, de impor suas receitas.
Sábio é dar ouvidos a conselhos, sem perder de vista que eles são como feijões – saudáveis e nutritivos. Apenas há de se escolher entre bons e ruins antes de se preparar o próprio cozido.
Dias de outono
O céu de outono na janela. Lá fora, a cena quintanesca: Seria uma borboleta amarela? Ou apenas uma folha seca? Desprendida, já tão velha... Flutua mansa, leve, serena...
Despede-se da vida com uma dignidade suprema. Dignidade que, nestes tempos, tem faltado a uma gente que não quer, nem sabe ao menos, envelhecer. Gente vazia, que em busca da artificialidade das aparências gasta seus dias. E, num casulo eterno, enquanto seu espírito definha, perde a chance de desenvolver a elegância da sabedoria.
A folha, entregue ao vento, voa no úmido e enevoado entardecer em delicados movimentos, até repousar nalgum canto do chão que há de fecundar. A alma, em harmonia com o tempo, move as asas da sua experiência, até cumprir a sua missão, deixar o legado do seu saber e, elegante borboleta, seguir a um fresco e novo amanhecer.
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Sereníssimo
Tantas vezes o golpearam de forma traiçoeira. Outras tantas o destino se encarregara de lhe trazer dores e perdas. Algumas vezes amargara, tão-somente, dos desamores a indiferença... Mesmo assim, amargara. Até que suas ilusões todas morreram.
Então, por incrível que pareça, restou-lhe no espírito, apenas, uma singela pureza.
Seu olhar se tornou calmo, sereno, compassivo. Não mais dava conta do mal. Compreendia o drama humano como uma escola de aprendizagem, por onde cada um está de passagem. Nada mais esperava dos imaturos ou dos primitivos, senão que agissem como tal. Já dos mais crescidos, entendia porque viviam tão atentos às lições do ensino.
A experiência o fizera entender que abrir mão de tudo dá liberdade para estender os braços para o Todo. Portanto, nem mesmo ansiava encontrar, um dia, o Paraíso. Mas quem o conhecia segredava que isso era porque o Paraíso, há muito, já o havia encontrado.
O segredo da sabedoria
Na tradição oriental, existe uma história, com desfecho aparentemente enigmático, onde um estudante pergunta ao seu mestre como se pode alcançar a iluminação.
Responde o sábio: “Você já comeu seu arroz?” “Sim”, diz o aluno. “Então, lave a tigela”, orienta o mestre.
Não é preciso ser uma espécie de escolhido, nem ter um vasto conhecimento adquirido. O que importa, de forma prática e singela, é tornar o conhecimento aplicável ao dia a dia.
Isso é sabedoria.
Vita brevis
A vida é de uma brevidade avassaladora!
É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do
vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e
depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia,
por onde a vida flui com autêntica felicidade.
Ao fim da jornada
“Apesar de tantas provas, minha idade avançada e a grandeza de minha alma me levam a julgar que está tudo bem”, considera o rei Édipo, ao fim da tragédia escrita por Sófocles.
Se ao final da jornada a experiência, toda experiência,
sobretudo as provações, tiver conduzido a alma à grandeza, então perceberemos
mais claramente que houve um propósito. E, uma vez satisfeito o propósito,
estará tudo bem, apesar das desventuras próprias da aventura de viver.
Silêncio...
Nem que seja com música ruim, com risos falsificados pela bebida, com a televisão a tagarelar sozinha, com tanta preocupação sem-fim que se arruma por aí, com essas conversas intermináveis entre surdos nas quais se costuma tanto investir...
Mesmo assim, quando nos damos por conta, o susto! Ele aparece do nada e nos atormenta. Assombrado, esse miserável chama vozes do além, que sobem do fundo da nossa consciência e – que absurdo! – nos fazem pensar sobre nós mesmos!
A força da sabedoria
Mas se for sábia a alma que sofre, ao invés de se digladiar com o severo invasor, machucando-se ainda mais, ela o receberá com resignação, beberá do seu cálice, sorverá as suas lições, tomando para si a força do agressor.
Ele definhará aos poucos, com o tempo. Ela crescerá, ampliando os domínios seus.
Por isso, podemos interpretar o que Jesus disse: “Bendito o espírito humilde, porque nele se expandirá o reino de Deus”.
Decisões
Oportunidades são como joio e trigo.
Há de se pensar no longo prazo para discernir entre as boas e as ruins.
Pedra no caminho
No pomar do coração
Sentimento é reação do instinto. Pode brotar de mansinho ou explodir no coração, pode ser gostoso ou aflitivo, inspirar amor ou irritação... Inevitável reagir emotivamente às coisas que a gente vivencia.
O importante, mesmo, está em aprender a discernir qual sentimento se rega e qual se poda, porque isso determina o que a gente colhe...
Ou, inversamente, o que a gente arruína.
Ponto de orientação
O reino de Deus é uma fortaleza, contraponto seguro nesta jornada de constantes incertezas. Ele deve se erguer nas terras do coração, e ocupar o monte mais alto, no lugar, de todos, mais visível. Porque, assim, mesmo nos momentos de terrível escuridão, graças às suas luzes, este nosso espírito viajante, e até algum outro, de algum semelhante, sempre pode encontrar nele o seu ponto de orientação.
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