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Nossas marcas




Não levamos nada deste mundo... Está certo. 
Mas podemos deixar muita coisa boa nele! 

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Guerreiros


A beleza da vida, entre tantas coisas, está na emoção da aventura. O perigo aguarda sempre ali, no desconhecido adiante da próxima curva, no trecho pedregoso e íngreme que pode levar tudo abaixo, numa companhia que caminha lado a lado sem a lealdade que devia. 

Frente a tal desafio, os covardes se encolhem e se põem a desfiar lamúrias. Mas os guerreiros – ah, os guerreiros! – eles persistem, aprendem, criam alternativas. E ficam mais fortes, e mais criativos, e cada vez mais serenos, porque sabem que sempre há saída para quem acredita. Pois a vida, como diz a Cecília Meireles, “a vida só é possível reinventada” – só é possível pela realidade transformada! 

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Raro perfume





A vida, a gente deve tratar com o zelo de um perfumista... 
Do tipo que prepara perfumes raros... 
Desses perfumes com edição limitada, 
que vêm em pequenos e delicados frascos... 
Desses, com uma fragrância tal que merece deixar rastros... 

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Grandeza


A grandeza não está em ser perfeito,
mas em poder mirar o espelho
e, com satisfação, perceber que hoje
somos melhores do que ontem,
perceber que cada lição valeu a pena,
porque, a despeito do sofrimento,
e das marcas deixadas pelo tempo,
atravessamos tudo e, assim, crescemos.

Lições do tempo





Diz a sabedoria popular que o tempo é um excelente mestre. Nada como um dia depois do outro. Verdade. Mas também é verdade que para seguir adiante, isso não basta. É preciso acrescentar aos dias um passo depois do outro.

Plenitude e paixão



Se te fizeram desacreditar de teu próprio valor
Se te quiseram convencer que a beleza tem padrão
E os holofotes da moda ofuscaram tua visão
E o encanto da diversidade de um jardim te escapou

Se te levaram a duvidar de teus próprios talentos
Se te oprimiram com exigências desmedidas de sucesso
E a camisa de força do mercado restringiu teus gestos
E a graça de um pôr-do-sol sobre ti já não tem efeito

Fecha teus olhos devagar...
Respira lenta, profundamente...
E faz teu espírito silenciar...
Então perceba, intimamente...

Quem se padroniza, jamais se realiza
Tornar-se dia a dia quem realmente é
É a única forma de uma pessoa ser única
E florescer o que em si a torna exclusiva

Aceite-se, e o resto do mundo te aceitará melhor
Ame-se de corpo e alma, e teu corpo e tua alma te retribuirão
Faça as pazes contigo, e a paz se fará ao teu redor
Pois a vida só é plena se a deixamos fluir com plenitude e paixão

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Mudança




“Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele sozinho. Mas, se morrer, produz muito fruto”, dizia Jesus para explicar o caminho da Cruz, para ensinar que só há esperança de transformação aos que têm coragem de enfrentar o difícil processo da mudança.

A mulher ideal

 
 
 
 
 
 
A mulher ideal é aquela que não se encaixa em nenhum ideal de mulher. Antes, aprende a respeitar o seu direito de viver a própria vida, e vivê-la em plenitude, sabendo ser única, e bela, por ser quem é.
 

Equilíbrio

 
Nietzsche disse que a existência humana é uma corda estendida entre o primitivismo e a plenitude.
 
Também penso assim.
 
Somos equilibristas. Em nossa alma ressoa um chamado à travessia. A corda não se eleva muito acima do chão. Abaixo, há um lodaçal.
 
Alguns se conformam com a queda e, feito porcos, chafurdam, e ainda se recreiam na lama, e vivem como se nada mais houvesse de possibilidade. Tornados cínicos por sua descrença íntima e secreta, são estes os que vivem a se revolver em fofocas, deslealdades, falcatruas, até mesmo crimes e todo tipo de corrupção. Entretanto, por dentro, amargam a humilhação da sujeira e o desespero pela falta de perspectiva de seu próprio espírito.
 
Outros teimam em se reerguer cada vez que caem. Insistem no aprendizado do equilíbrio. Em momento algum se contentam em permanecer onde estão. Avançam. Pé ante pé. Mas avançam. Sentem que a vida só terá valor se puderem ir além.
 
Os que fazem a travessia são os que de fato transformam a realidade. O seu singelo espetáculo demonstra a grandeza humana. Revela do que somos capazes. E impressiona. A tal ponto que influencia mudanças. Estes tornam o mundo um lugar novo, para si e para todos. Um lugar que, de alguma forma, jamais será o mesmo após a sua passagem.
 

Vita brevis



Um vento ligeiro, cuja música sibila em nossos ouvidos, o sopro agita os nossos cabelos, numa carícia desliza por nossa pele... E se vai.

A vida é de uma brevidade avassaladora!

É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
 
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
 
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
 
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
 
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia, por onde a vida flui com autêntica felicidade.

Revolta


Ao refletir sobre a existência, Albert Camus concluiu que só há um jeito de viver plenamente: Revoltando-se! Não, não se trata da revolta por rancor, amargura, frustração. Nem tampouco da luta armada ou do jogo de artimanhas para derrubar desafetos. O que nos leva a enfrentar os aspectos sombrios da realidade é o sonho, o sonho acordado, utópico, iluminado de esperanças.

Não foi assim com Jesus? Todo mundo, à sua volta, acreditava na espada, vingadora de toda e qualquer opressão. Menos ele. Ele acreditava no poder do reino de Deus, nas forças transformadoras da fé, nas mudanças que se operam de dentro para fora.

A revolta legítima, revolucionária, digna da natureza humana feita à imagem divina, é aquela do coração que insiste e persiste em olhar além. Além das mazelas herdadas no próprio DNA e na mentalidade aprendida, além da absurdez dos acontecimentos aleatórios e incausados, além das injustiças e perversidades mundanas, até mesmo além das circunstâncias mais difíceis e dolorosas. 

Revoltar-se é a ousadia de se inconformar, dar a volta por cima daquilo que limita, definha, desencanta, para se reencantar com a vida. Revoltar-se é voltar a ter a simplicidade de coração da criança que acredita na beleza, na força do bem, na felicidade. E, como criança, voltar a ser representante do reino divino, levando, inclusive aos confins dos domínios da desesperança, a boa nova de que o futuro sempre será melhor para quem se atreve a sonhar. 

Beleza verdadeira


À medida que a gente cuida da própria alma, ela vai ficando naturalmente mais saudável, plena e bonita. E a beleza dessa plenitude se expressa no corpo da gente, e no trabalho e nas coisas que se faz, e nas relações que se tem, e no contentamento com que se saboreia a vida. Então, quanto mais contente, menos egoísta e guloso a gente fica, tem mais a oferecer do que a tomar, menos a consumir e sempre o melhor de si para dar.
Mas a maioria inverte a lógica dessa sabedoria. Tenta engolir o mundo para satisfazer o seu vazio, encaixar o corpo numa beleza artificial, insustentável, inverossímil, e enganar o espírito com bugigangas como quem engana uma criança.
“Ao natural, cresce a grama”, ensina um milenar provérbio oriental. Do seu crescimento, nada se escuta, nada se percebe imediatamente. Se pisoteada, resiste. Se cortada, ressurge. Porque seu vigor vem da raiz firmada sob a terra. Assim, o verdadeiro encanto, que provoca admiração em todos, emerge da salutar harmonia de uma autoestima bem cuidada dia a dia.

Coragem de viver

 

A vida é feita de escolhas, costuma-se dizer. Eu discordo desse clichê. Acho que, a bem da verdade, a maioria das pessoas se deixa levar apenas pelas circunstâncias.
 
Aliás, na realidade, talvez o clichê tenha lá sua razão. Talvez a vida só se faça vida, mesmo, para quem não tem medo de tomá-la nas próprias mãos.
 
 

O valor de cada um

 

O abade se aproximou do noviço e tomou lugar ao seu lado no banco do jardim.
 
– Notei que você está enfrentando dificuldade para se relacionar com algumas pessoas.
 
– Acho que o senhor não observou direito.
 
O velho mestre se limitou a erguer uma das sobrancelhas.
 
– Algumas pessoas enfrentam dificuldade para se relacionar com quem tem opinião própria... E eu não vou mudar o meu jeito de ser por causa delas.
 
– Hum... Compreendo... Mas se você está tão seguro de si e das suas opiniões, por que precisa se impor dessa maneira?
 
E arrematou:
 
– A pessoa que faz de tudo para se impor, tentando a todo custo provar seu valor, é aquela que, por amargas experiências, lá no fundo, foi levada a duvidar dele.
 
O moço perdeu a fala. Uma mistura de sentimentos formou nó em sua garganta. Aquele homem havia ultrapassado facilmente as suas barreiras para, com ternura incomum, tocar em seu íntimo.
 
– Ser autêntico – prosseguiu o mestre –, num mundo onde todos tentam se ajustar a padronizações, é uma das maiores e mais importantes realizações humanas. Neste ponto eu concordo com você. Entretanto, autenticidade exige humildade, humildade para admitir que o próprio ser não está pronto e, em resposta, passar a construí-lo diante dos olhos das pessoas, com todos os erros e acertos que isso implica.
O abade fez uma pausa, seu olhar se distanciou, como se deixasse de enxergar as coisas ao redor para contemplar suas memórias.
 
– Sabe, filho, eu descobri que é nesse processo que a gente aprende a se amar, porque descobre qualidades valiosas em si mesmo. Daí, já não precisa provar coisa alguma a ninguém, nem lutar por aceitação, pois o nosso valor se expressa com naturalidade. 
 
Então, tornou a olhar nos olhos do noviço e concluiu:
 
– Ao reconhecer e aprimorar as nossas qualidades pessoais, a gente se dá valor de verdade. E quanto mais valor a gente se dá, mais valor a gente tem.
 
 

Solidão


Houve tempo em que pensei a solidão
como total ausência.
Não...
Com o tempo descobri na solidão
a oportunidade da presença,
a presença de mim mesmo,
mais completa, mais consciente,
mais plena...
Na conversa silenciosa e íntima,
o autoconhecimento,
o aprofundamento da autoestima,
as descobertas das possibilidades
de autorrealização – e felicidade.
Neste ambiente de solidão,
o corpo se faz altar,
a quietude, liturgia,
comunhão,
com o Sagrado a se manifestar.
Como o velho Erasmo bem sabia:
“Vocatus atque non vocatus, Deus aderit”
– Evocado ou não, Deus está presente.
Principalmente
quando o espaço se abre aconchegante
na solitude do coração.

Golpes da vida



Ser humano é ser em construção. Então, em vez de se deixar abater por causa desse ou daquele defeito, de uma e outra aresta, aqui e ali, de um certo jeito torto de agir, por tanta coisa imperfeita que a gente vê quando mira o espelho da consciência, o melhor a fazer é permitir que os golpes da vida sirvam como os de um hábil escultor. Porque, indiferentes à dor que infligem, removem as partes brutas para revelar uma beleza tal que, no fundo a gente sabe, somente as divinas mãos daquele que planejou a obra são capazes de revelar.