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Raro perfume
A vida, a gente deve tratar com o zelo de um perfumista...
Do tipo que prepara perfumes raros...
Desses perfumes com edição limitada,
que vêm em pequenos e delicados frascos...
Desses, com uma fragrância tal que merece deixar rastros...
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Plenitude e paixão
Se te fizeram desacreditar de teu próprio valor
Se te quiseram convencer que a beleza tem padrão
E os holofotes da moda ofuscaram tua visão
E o encanto da diversidade de um jardim te escapou
Se te levaram a duvidar de teus próprios talentos
Se te oprimiram com exigências desmedidas de sucesso
E a camisa de força do mercado restringiu teus gestos
E a graça de um pôr-do-sol sobre ti já não tem efeito
Fecha teus olhos devagar...
Respira lenta, profundamente...
E faz teu espírito silenciar...
Então perceba, intimamente...
Quem se padroniza, jamais se realiza
Tornar-se dia a dia quem realmente é
É a única forma de uma pessoa ser única
E florescer o que em si a torna exclusiva
Aceite-se, e o resto do mundo te aceitará melhor
Ame-se de corpo e alma, e teu corpo e tua alma te retribuirão
Faça as pazes contigo, e a paz se fará ao teu redor
Pois a vida só é plena se a deixamos fluir com plenitude e paixão
A mulher ideal
A mulher ideal é aquela que não se encaixa em nenhum ideal de mulher. Antes, aprende a respeitar o seu direito de viver a própria vida, e vivê-la em plenitude, sabendo ser única, e bela, por ser quem é.
Onde nasce o amor
Foi difícil, admito, mas com o tempo eu aprendi que os amores verdadeiros, desses que correm nas veias da alma e do corpo da gente, feito riachos e rios rabiscados na carne da terra, a fecundá-la por suas fluentes, nascem todos de uma fonte única: o amor-próprio.
Não à toa, Jesus ensina que o princípio, a nascente de toda virtude, onde cada pessoa encontra o seu valor genuíno, se resume no amor a Deus e ao próximo “como a si mesmo”. Afinal, que parâmetros alguém pode ter para amar qualquer outro ser, com generosidade e aceitação, quando resiste a abrir para si mesmo o próprio coração?
O valor de cada um
– Notei que você está enfrentando dificuldade para se relacionar com algumas pessoas.
– Acho que o senhor não observou direito.
O velho mestre se limitou a erguer uma das sobrancelhas.
– Algumas pessoas enfrentam dificuldade para se relacionar com quem tem opinião própria... E eu não vou mudar o meu jeito de ser por causa delas.
– Hum... Compreendo... Mas se você está tão seguro de si e das suas opiniões, por que precisa se impor dessa maneira?
E arrematou:
– A pessoa que faz de tudo para se impor, tentando a todo custo provar seu valor, é aquela que, por amargas experiências, lá no fundo, foi levada a duvidar dele.
O moço perdeu a fala. Uma mistura de sentimentos formou nó em sua garganta. Aquele homem havia ultrapassado facilmente as suas barreiras para, com ternura incomum, tocar em seu íntimo.
– Ser autêntico – prosseguiu o mestre –, num mundo onde todos tentam se ajustar a padronizações, é uma das maiores e mais importantes realizações humanas. Neste ponto eu concordo com você. Entretanto, autenticidade exige humildade, humildade para admitir que o próprio ser não está pronto e, em resposta, passar a construí-lo diante dos olhos das pessoas, com todos os erros e acertos que isso implica.
O abade fez uma pausa, seu olhar se distanciou, como se deixasse de enxergar as coisas ao redor para contemplar suas memórias.
– Sabe, filho, eu descobri que é nesse processo que a gente aprende a se amar, porque descobre qualidades valiosas em si mesmo. Daí, já não precisa provar coisa alguma a ninguém, nem lutar por aceitação, pois o nosso valor se expressa com naturalidade.
Então, tornou a olhar nos olhos do noviço e concluiu:
– Ao reconhecer e aprimorar as nossas qualidades pessoais, a gente se dá valor de verdade. E quanto mais valor a gente se dá, mais valor a gente tem.
Solidão
Houve tempo em que pensei a solidão
como total ausência.
Não...
Com o tempo descobri na solidão
a oportunidade da presença,
a presença de mim mesmo,
mais completa, mais consciente,
mais plena...
Na conversa silenciosa e íntima,
o autoconhecimento,
o aprofundamento da autoestima,
as descobertas das possibilidades
de autorrealização – e felicidade.
Neste ambiente de solidão,
o corpo se faz altar,
a quietude, liturgia,
comunhão,
com o Sagrado a se manifestar.
Como o velho Erasmo bem sabia:
“Vocatus atque non vocatus, Deus aderit”
– Evocado ou não, Deus está presente.
Principalmente
quando o espaço se abre aconchegante
na solitude do coração.
Golpes da vida
Ser humano é ser em construção. Então, em vez de se deixar abater por causa desse ou daquele defeito, de uma e outra aresta, aqui e ali, de um certo jeito torto de agir, por tanta coisa imperfeita que a gente vê quando mira o espelho da consciência, o melhor a fazer é permitir que os golpes da vida sirvam como os de um hábil escultor. Porque, indiferentes à dor que infligem, removem as partes brutas para revelar uma beleza tal que, no fundo a gente sabe, somente as divinas mãos daquele que planejou a obra são capazes de revelar.
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