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Baú de eternidades
O coração é baú de eternidades. O que sempre está conosco, estará para sempre conosco – sejam amarguras ou ternuras, amores ou rancores, infernos ou paraísos. Entre uma e outra dessas coisas, cabe tão-somente a nós a escolha.
Possibilidades
Nada há tão repleto de possibilidades quanto uma folha de papel em branco... Ou uma pessoa disposta a deixar pra lá o que passou e, simplesmente, recomeçar...
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Mudança
“Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele sozinho. Mas, se morrer, produz muito fruto”, dizia Jesus para explicar o caminho da Cruz, para ensinar que só há esperança de transformação aos que têm coragem de enfrentar o difícil processo da mudança.
Coração livre
Perdoar é coisa do coração, não da cabeça. A cabeça faz registro, arquiva na memória, cumpre o seu papel. Mas o coração acusa o golpe onde se abre ferida. Por isso, a decisão analítica de deixar para lá pouco importa. O que faz diferença, mesmo, é a vontade do coração de se tornar cada vez mais limpo, livre e libertador.
Vita brevis
A vida é de uma brevidade avassaladora!
É curta demais para ser desperdiçada com amarguras, contida por medos e culpas, sufocada em remorsos inconfessos... E tão cheia de possibilidades para terminar arrependida, pranteada sobre as sementes mortas de potenciais insatisfeitos.
A vida, também como o vento, só se expressa plenamente quando flui desimpedida.
Por isso, descomplique. Aceite as pessoas de bem como elas são. Arrisque. Se errar, corrija, peça perdão. Ame sem reservas e você conhecerá tudo que o amor lhe reserva. Trabalhe. Faça sempre o seu melhor. Não há recompensa maior do que sentir orgulho em cada gota do próprio suor. Priorize a ética. Porque todo gesto nosso repercute e gira em torno do mundo até nos achar de novo.
Ah! sim, nem se preocupe em encher os bolsos. Isso torna a carga pesada e o caminho doloroso. E mantenha a fé. Sempre mantenha a fé. Ela nos permite segurar a invisível mão que nos guia por este Universo de mistérios. Por fim, tenha compaixão. Simplesmente porque assim que se é gente, assim é que se alcança um coração sensível à vida em toda a sua intensidade.
Pois a sabedoria do tempo é singela como a sabedoria do
vento. Quem a observa, caminha ciente de que está de passagem por este chão e
depende da humildade para aprender a valorizar as coisas simples do dia a dia,
por onde a vida flui com autêntica felicidade.
Faxina no coração
Perdão é faxina que se faz no coração. Porque a morada da alma da gente não é lugar para se guardar coisas quebradas pela passagem desastrada de alguém, ou imagens envelhecidas em retratos que só trazem aperto, muito menos preservar a pegada suja de algum sapato - que sequer mereceu andar num espaço tão sagrado.
Perdão é limpeza que se faz sem ressentimento. Porque é gesto de amor, amor-próprio, essencial à vida que vale a pena viver, e se desdobra àqueles que a gente deseja acolher no peito, e ao Deus que vem habitar onde a pureza ergue seu templo.
O coração assim, livre de entulho, puro, deixa de ser depósito de amarguras, canto escuro onde se esconde e sufoca o pranto, para se transformar em refúgio iluminado, de portas e janelas abertas, fonte de paz e entusiasmo.
Por isso, há muito desisti de ser do tipo que teima em acumular quinquilharias, com essas velhas e decrépitas manias de juntar estorvo. Quero sempre deixar espaço em mim para acolher tudo de bom que a vida tiver a oferecer – especialmente, o novo.
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