Ao fim da jornada





“Apesar de tantas provas, minha idade avançada e a grandeza de minha alma me levam a julgar que está tudo bem”, considera o rei Édipo, ao fim da tragédia escrita por Sófocles. 

Se ao final da jornada a experiência, toda experiência, sobretudo as provações, tiver conduzido a alma à grandeza, então perceberemos mais claramente que houve um propósito. E, uma vez satisfeito o propósito, estará tudo bem, apesar das desventuras próprias da aventura de viver.  

Silêncio...




O silêncio... É preciso entulhar o silêncio, enterrá-lo em escombros, silenciá-lo a qualquer custo!

Nem que seja com música ruim, com risos falsificados pela bebida, com a televisão a tagarelar sozinha, com tanta preocupação sem-fim que se arruma por aí, com essas conversas intermináveis entre surdos nas quais se costuma tanto investir...

Mesmo assim, quando nos damos por conta, o susto! Ele aparece do nada e nos atormenta. Assombrado, esse miserável chama vozes do além, que sobem do fundo da nossa consciência e – que absurdo! – nos fazem pensar sobre nós mesmos!

Propósitos




“Me corrói a angústia, noite e dia, pois não consigo entender qual propósito tinha Deus ao permitir que isso acontecesse comigo.”

Em resposta, o velho sábio puxou um sorriso no canto dos lábios para então devolver:

“Já lhe ocorreu que Deus esteja esperando que você dê um propósito ao que aconteceu?”